A Mostra Final de Alunos da EAV Parque Lage acontece anualmente em dezembro – reúne processos, pesquisas e projetos desenvolvidos por alunes ao longo do ano. Em 2020, excepcionalmente, o projeto que culmina o ano é uma plataforma digital que reúne trabalhos e exercícios, individuais e coletivos, desenvolvidos pelos cursos online realizados pela escola no ano de 2020.


Ostensivamente visual, a plataforma vale-se dos invisíveis e onipresentes algoritmos que regem a programação de qualquer plataforma digital para, randomicamente, oferecer uma nova combinação entre os trabalhos dos alunos a cada vez que o site for aberto, a cada novo acesso. Atualizar esta plataforma possibilita portanto experimentar novas combinações, diálogos insuspeitos, aproximações alternativas e, quiçá, encurtar distâncias. Palavas-chave reúnem as produções pelos cursos que a provocaram, pelos professores que as orientaram ou pelas palavras eleitas por cada turma para elaborar temas e processos relevantes de cada trabalho.


A Escola de Artes Visuais do Parque Lage é instalada num palacete centenário em estilo eclético. Seu espaço físico conta com uma gruta artificial, um aquário, um jardim francês e outro em estilo inglês, as Cavalariças, uma antiga capela – centenários – e um kupixawa indígena construído pelo huni kuin e uma instalação permanente do artista Ernesto Neto no Parquinho Infantil – construídos na última década – além de uma trilha em direção ao Cristo Redentor pelo Morro do Corcovado pela Floresta Nacional da Tijuca, maior floresta urbana do mundo, da qual fazemos parte. A este conjunto chamamos Parque Lage. Como conceber uma experiência de escola livre fora da diversidade, da frequência, da intimidade e da vibração que tão bem conhecemos? Em meio à crise social, como emancipar e encorajar a imaginar e realizar?


Ao final de cada ano, um exercício coletivo e compartilhado de ocupação do Palacete e seus entornos. Tal exercício é operado propositadamente com o apoio da curadoria da Escola, mas sem curadoria específica – senão a coletividade dos próprios estudantes. A partir de uma montagem coletiva, trabalhos são posicionados e instalados nos recantos do palacete – e fora dele – numa prática de convivência e vizinhanças. Eleger como apresentar revela-se um exercício crítico sobre as políticas e modos de exposição.


Urge acreditar. Queremos, devemos e podemos subverter a lógica subalternizante das hierarquias; ultrapassar a perversidade da noção de qualidade que desautoriza imagens insubordinadas; transpor a lógica condicionante de que as imagens urgentes da contemporaneidade devem ser submissas às produções de mestres e gênios da história colonial da arte; mesclar linguagens sedimentadas às expressões nunca antes concebidas porque profanas demais; experimentar juntos formatos e imagens que ainda não se conhecem e que são sequer conhecidos pelo excludente e desigual sistema das artes.


Quais os vínculos possíveis entre um desenho de observação do próprio corpo nu e uma pintura de paisagem construída entre quatro paredes? Que relações existem entre um processo analógico de impressão fotográfica e uma fotoperformance registrada no próprio telefone? Quais proximidades e distâncias queremos e podemos conduzir entre o ideal de um projeto imaginado e os descaminhos de um trabalho realizado? Como relacionam-se projetos pensados especificamente para uma plataforma virtual e aqueles que aqui estão num regime de representação: fotografados e publicados? Como experimentar o sensível por meio de trabalhos que não reivindicam peso, materialidade e volume no mundo material? Como nosso corpo imagina formas representadas na combinação dos números 0 e 1? Como exercitar a justa distância entre o eu e outro? Como alimentar, à distância, o desejo de encontro?


Ulisses Carrilho
Curadoria de Ensino e Programas Públicos
Escola de Artes Visuais do Parque Lage








































































































































































EM REDE


Durante a pandemia, Nossos professores também desenvolveram uma série de vídeos sobre o tempo, realizamos um seminário em torno das pedagogias radicais que deram início à escola e iniciamos Teteia, projeto de pesquisa da EAV Parque Lage. Uma seleção de documentos do Memória Lage e parceiros articulada em uma "teia", um emaranhado, de fotografias e materiais da EAV Parque Lage, que sugerem uma narrativa ampla, transhistórica e marcada por personagens. Esta seleção busca dar visibilidade pública às investigações da curadoria da EAV Parque Lage a partir do Memória Lage. O nome "Teteia" vem dos trabalhos com fio da artista Lygia Pape, uma pesquisa que se desenvolveu ao longo de sua carreira, e começou através de experimentos com um grupo de alunos em meio às árvores da floresta do Parque Lage nos anos 1970.


"Teteia Parque Lage" um trabalho imaginado coletivamente, de maneira colaborativa, borrando as fronteiras que separam hierarquicamente professores e alunos. A partir da observação da formação de uma teia de aranha entre as árvores, na porção da Floresta Nacional da Tijuca, a estrutura de uma teia surge como alternativa à ideia de uma grade escolar, de um grid, que carregam consigo a ideia de uma organização moderna, que separa a natureza da cultura. O emaranhado da teia é antes de tudo um agenciamento entre as partes, uma estratégia que objetiva o movimento, a presença e a permanência. A rede inscreve um campo de ação, contribui para as saídas diversas e múltiplas, para a efervescência da dúvida e para a provocadora incerteza das indagações. O campo de conhecimento compreendido enquanto matéria molda o corpo que lida com ele e é moldado por esta subjetividade.



GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO



Governador do Estado do Rio de Janeiro

Wilson Witzel

Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro
Danielle Christian Ribeiro Barros

Assessor Especial
André L. M. Marques





ESCOLA DE ARTES VISUAIS DO PARQUE LAGE

Diretora
Yole Mendonça

Curador de Ensino e Programas Públicos
Ulisses Carrilho

Comissão de Ensino
Camilla Rocha Campos

Charles Watson

Clarissa Diniz

Marcelo Campos

Prili

Coordenadora de Ensino

Janaina Melo

Supervisora de Ensino
Natália Nichols

Assistente de Ensino
Carmen da Costa Souza

Secretaria de Ensino
Carmen da Costa Souza

Renan Lima

Coordenadora de Comunicação e Design
Chris Lima

Coordenadora do Programa Amigo EAV
Fernanda Sattamini

Produtores
Julia Baker

Renan Lima

Gerente de Eventos
Naldo Turl






Biblioteca | Centro de Documentação
 e Pesquisa
Curadora residente
Tanja Baudoin

Bibliotecária
Rubia Luiza da Silva

Bibliotecária auxiliar
Juliana Machado

Designer
Juliana Azevedo

Assessora de Imprensa
Mônica Villela

Gerente Administrativo e Financeiro
Celina Martins

Gerente de Patrimônio e Compras
Fabio Augusto Lopes

Supervisor Financeiro Contábil
Hércules da Costa Souza

Analista de Planejamento Financeiro
Leiliane Silva

Analista Financeiro
Camila Oliveira

Analista de Suporte de TI
Cristian Pala

Talles Moreira Delgado

Supervisor de Serviços Gerais
Homero Gomes

Assistentes de Serviços Gerais
Paulo do Carmo

Paulo Nemias

Ryan Barboza

José Carlos Silva Teixeira



AMEAV


Presidente

Marcelo Viveiros de Moura

Vice-presidente
George Kornis

Conselheiros
Alvaro Piquet

Eugenio Pacelli

Gustavo Martins

Nelson Eizirik




Realização


Apoio Cultural

Apoio



Patrocínio